Editora Naós  
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Os acusadores

Jo 8.1-11

Introdução

Estamos cercados por acusadores. Câmeras são usadas para nos vigiar nas lojas, ruas, auto-estradas etc. O código penal brasileiro, por exemplo, está repleto de leis que apontam nossos erros e o tipo de penalidade que devemos sofrer por eles! Em muitos casos as pessoas conseguem perceber melhor nossos defeitos e ignorar as qualidades. No episódio envolvendo uma mulher flagrada em adultério, Jesus Cristo nos ensina a verdade de que estamos rodeados de acusadores, e que de certa forma a humanidade – sem exceção – é culpada diante de Deus (v. 7; Rm 3.23), entretanto, o homem não precisa de mais acusadores e sim de um Salvador.

Proposição: Não estamos qualificados para acusar, mas em Cristo podemos salvar.

I-  Quem são nossos acusadores?

- Jesus se dirigiu a pobre mulher e lhe indagou: “onde estão aqueles teus acusadores?” (v. 10). O homem em sua pecaminosidade tem uma inclinação natural para julgar (Mt 7.1-5) e condenar os outros, mas de modo geral todo mundo quer ser tratado com compreensão e amor (perdão) quando falham em algo. O juízo brando e humilde só ocorre quando reconhecemos que não somos perfeitos e que estamos sujeitos aos mesmos erros dos outros.

- No caso em tela observamos um grupo de escribas e fariseus que desejavam pegar Jesus em alguma contradição (v. 6). Desta forma, no grupo de acusadores, normalmente estão aquelas pessoas “religiosas”, que acreditam estar acima de qualquer suspeita, que se consideram melhores que as outras e desta forma assumem uma postura de juizes implacáveis.

- De maneira geral o homem está cercado de acusadores, por exemplo: faturas do banco indicando nosso débito; o cônjuge ou parentes próximos reclamando tempo para eles; cobrança de aluguel ou de compromissos assumidos; multa por infração cometida involuntariamente; o chefe acusando serviços não realizados etc.

- Dentro de cada um de nós existe uma “acusadora” colocada por Deus conhecida por consciência (v. 9), e é por meio desse “senso intimo” que o homem sabe distinguir – na maioria das vezes – e é levado a preferir o certo ao errado, o bom ao ruim.

- Pior do que a consciência existe o diabo que à semelhança do caso de Jó, se presta também para nos acusar dia e noite diante de Deus (Ap 12.10). Em meio a tantos acusadores como devemos reagir? 

II- Como devemos lidar com a acusação?

- O verbo acusar significa: “apontar como culpado; incriminar; processar judicialmente, juntando provas e reclamando punição; revelar, mostrar”. No grego temos a palavra “kategoréo”, também traduzida por trazer acusação, ou falar contra alguém, exatamente como os judeus fizeram com Jesus diante de Pilatos (Lc 23.12).

- Existe a acusação infundada, como aquelas lançadas contra Jesus pelos religiosos de sua época (ex: Mt 12.10; 27.12), e nesse caso devemos entregá-las a Deus em oração, pois Ele é o justo juiz que fará justiça no devido tempo (Sl 37.6 e 28; Dt 32.36). Por outro lado existem acusações corretas, e a nossa postura em relação a elas deve ser de humildade (ou humilhação) e dependência da graça de Deus (ex: Rei Davi: 2Sm 12.7 e 13).

- Em alguns casos nós somos os acusadores, pois toda vez que assumimos a posição de juiz ou de critico diante das falhas dos outros estamos sendo um acusador. Para Jesus somente pessoas “sem pecado” poderiam “atirar a primeira pedra”. Se quisermos ser tratados com compaixão e perdão, é assim que devemos fazer com nossos semelhantes (Mt 7.12).

- No verso 8 João nos revela que Jesus escrevia no chão. Que conteúdo tinha aqueles escritos? Somente a eternidade nos revelará, mas alguns manuscritos de pouca importância dizem que o Mestre escrevia no chão “os pecados de cada um” dos acusadores daquela mulher. Portanto, antes de acusar alguém devemos considerar a advertência contida no verso 7.

- No verso 9 está escrito que todos acusadores foram embora, desde o mais velhos até os jovens. É interessante observar que os mais velhos foram os primeiros a se retirar, isso ocorre porque a experiência de vida nos ensina muita coisa, inclusive o fato de que não somos perfeitos, não sabemos tudo e que a nossa justiça não passa de “trapo de imundícia” (Is 64.6).

III- O homem precisa de um Salvador.

- Devemos imitar o gesto de Cristo e não dos malvados e legalistas religiosos que acusavam a mulher. A palavra de Jesus foi: “Ninguém te condenou? (...). Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais” (vv. 10, 11). Nosso papel deve sempre ser o de salvar, levantar, curar, perdoar, ajudar, aconselhar, apaziguar etc.

- O mundo não precisa de mais acusadores, mas de conselheiros, de intercessores, de pacificadores, de defensores (1Jo 2.1), de confortadores etc. Jesus Cristo veio ao mundo não para condená-lo, mas para dar a sua vida pela humanidade e por meio disso resgatá-la para Deus (Jo 12.47; 1Jo 3.16).

- No verso 9 João declara que depois que todos acusadores foram embora ficou somente a mulher e Jesus. Essa é a condição ideal para abrirmos o coração para Deus, na verdade Ele mesmo cria estas oportunidades a fim de tratar das nossas fraquezas, vícios e pecados mais objetivamente (Mt 18.15). Notamos ainda que a mulher não fugiu de Jesus, mas aguardou com humildade a necessária palavra restauradora.

- Jesus não foi condescendente com o pecado da mulher, antes disse a ela que abandonasse tal pratica (v. 11). Deus quer perdoar nossos erros, e nos ajudar a vivermos corretamente, mas primeiro precisamos reconhecê-los em atitude de humildade e verdadeiro arrependimento (At 3.19).

Conclusão

A palavra final de Jesus para a mulher adultera foi: “Nem eu tão pouco te condeno; vai e não peques mais” (v. 11). Desta maneira, Jesus ofereceu a ela uma nova oportunidade de vida (livrando-a do apedrejamento), mas agora sem “os grilhões do pecado” (Jo 8.34). Não devemos pensar que estamos isento de errar, pois ainda estamos aqui na terra, sujeitos a muitas coisas, deste modo, antes de assumirmos uma postura condenatória diante das falhas dos outros devemos nos lembrar da lei áurea do cristianismo (Mt 7.12).

Extraído do Livro 111 Sermões para todas as Ocasiões, de Walter Batos

 
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