O Profeta de Verdade
Ez 3.21: No entanto, se tu avisares o justo, para que
não peque, e ele não pecar, certamente, viverá,
porque foi avisado; e tu salvaste a tua alma.
As cidades da época eram guardadas por muros e torres
de vigia onde permaneciam os atalaias. Seu papel era dar
um toque de alerta sempre que percebessem a aproximação
do inimigo. O objetivo era evitar que a cidade fosse surpreendida
e facilmente submetida. O profeta é um atalaia cuja
responsabilidade é alertar a Igreja a respeito de
prováveis invasores conceituais e comportamentais.
Seus avisos aumentam o nosso nível de alerta, e coloca
toda a responsabilidade nas nossas mãos.
O profeta, assim como ocorria como o atalaia, é o
primeiro a sofrer o ataque, uma tentativa de anulá-lo.
A infiltração de falsos profetas diminui a
credibilidade nos defensores da verdade. Ao falar a verdade
ele pode contar com o assédio de falsas visões
e ameaças veladas de perder o cargo se confrontar
o pecado das autoridades eclesiásticas que lhe dão
o emprego. O profeta de verdade é ameaçado
de isolamento e em contrapartida assediado pela possibilidade
de prestigio e ganho fácil mediante massagens de
egos e palavras positivas. No Antigo testamento, os verdadeiros
profetas não se assentavam à mesa de reis
devassos e nem eram parte do colegiado religioso remunerado.
A Igreja, porém, é incentivada a honrá-los,
mas na maioria das vezes emolduram o ministério de
figurões (1Rs 17.4-7).
Ez 13.2-8: Viram vaidade e adivinhação
mentirosa os que dizem: O SENHOR disse; quando o SENHOR
não os enviou; e fazem que se espere o cumprimento
da palavra. Porventura não tivestes visão
de vaidade, e não falastes adivinhação
mentirosa, quando dissestes: O SENHOR diz, sendo que eu
tal não falei? Portanto assim diz o Senhor DEUS:
Como tendes falado vaidade, e visto a mentira, portanto
eis que eu sou contra vós, diz o Senhor DEUS. E a
minha mão será contra os profetas que vêem
vaidade e que adivinham mentira; não estarão
na congregação do meu povo, nem nos registros
da casa de Israel se escreverão, nem entrarão
na terra de Israel; e sabereis que eu sou o Senhor DEUS.
Porquanto, sim, porquanto andam enganando o meu povo, dizendo:
Paz, não havendo paz; e quando um edifica uma parede,
eis que outros a cobrem com argamassa não temperada.
Qual é a verdadeira função do profeta?
O profeta motiva, corrige, mantém a temperatura e
funciona como um sistema imunológico capaz de detectar
agentes invasores no corpo. Não me refiro ao tipo
que tenta descobrir fatos a respeito do nosso futuro. Já
me decepcionei muito com esses “chutes proféticos”.
A igreja que abriga essa ave de rapina é tão
culpada quanto ela.
Creio que se os populares movimentos proféticos obedecessem
a esse texto, pelo menos 90% cessariam suas atividades,
o que seria ótimo. O profeta moderno está
escudado pelos atuais movimentos apostólicos, que
entendem o seu trabalho como fundamental. Concordo com a
essencialidade da profecia em gênero, número
e grau, mas o seu papel não é exaltar a figura
de um déspota: “Esse é o homem a quem
escolhi para seu líder, ouvi-o.” “Não
desobedeça a meu servo, pois desobedecê-lo
é o mesmo que desobedecer a mim.” “Eu
mesmo, o Senhor escolhi este vaso para dar a direção
da minha obra.”
Esse tipo de palavra tem proliferado muito ultimamente,
mas será este o papel do profeta? Ele aponta para
um homem ou aponta para Jesus? Segundo Apocalipse, o falso
profeta terá a função de imprimir um
culto à pessoa do anticristo. Espero que esse comportamento
não invada a Igreja.
Ubirajara Crespo