Google
 
   
   
 

Uma Jovem Mulher Segundo o Coração de Deus

Uma Jovem Mulher Segundo o Coração de Deus

Elizabeth George

............................................
 

Vidas Incríveis vol.1

Vidas Incríveis vol.1

Charles R. Swindowl

............................................
 

O Retorno

O Retorno

Max Lucado

............................................
 

Acima de Tudo

Brennan Manning
 

Artigos e estudos relacionados à Satanismo

Nos EUA, o movimento hippie alcançou proporções enormes com o evento de Woodstock. Esse espírito atravessou o oceano e invadiu totalmente a Europa. A era dos grandes eventos tomava conta do país. Como muitos, eu peregrinava de um acontecimento para o outro. De toda a parte, vinham milhares para celebrar festas embaladas pelas drogas. Os maiores ginásios e estádios da Alemanha comportavam ainda que, por pouco tempo, a todos. Tomávamos conta dos parques, armávamos nossas barracas, dormíamos em sacos de dormir e dividíamos a comida, a maconha, cada dose. Dançávamos, cantávamos e fazíamos amor – um mundo colorido de tipos diferentes. Era uma grande “viagem”. As bandas de rock davam o tom.
Não era segredo que muitas bandas de rock buscavam inspiração para tocar em uma dose extra de drogas. Elas conseguiam expressar em sons o que sentíamos e cantavam o que pensávamos. Estávamos unidos: foi o início de uma nova era. Nosso desejo era penetrar em uma nova dimensão. Sentíamos que a verdadeira vida só poderia ser encontrada no invisível e não no visível. A droga nos abria portas para o além, porque ampliava a consciência. Parecia um novo tempo, e nós éramos os profetas.
Com o LSD, eu me aproximava de um mundo até então encoberto. Queria entrar nele. O sobrenatural me interessava e eu me abria para as forças do além.
Cada fim de semana, Benno organizava uma festa. O apartamento dele se tornou um refúgio para o consumo de drogas. Para embalar nossas “viagens”, arranjamos colchões, luz, pôsteres, vitrola e uma variedade de LPs. LSD era um jogo a ser desvendado. As alucinações nos despertavam para intermináveis brincadeiras. Não conseguíamos parar de rir ao vermos imagens na parede se mexendo, a visão dupla. Assistíamos aos movimentos em câmera lenta. Jogávamos objetos imaginários uns para os outros e tentávamos nos comunicar sem palavras. Ouvíamos música como se estivéssemos em um ambiente enorme. Os acordes estimulavam nossas fantasias, e os sons nos conduziam a outras esferas.
Essas experiências, essa força, essa visão e tudo o que se desenrolava em nós e à nossa volta nos davam a impressão de podermos influenciar os outros. Parecia transmissão de pensamento, pois as pessoas faziam o que eu queria. Essa manipulação mental era estimulante para mim. Eu era um defensor do LSD e um missionário das drogas. Obviamente, porque as vendia.
Era a época de grandes eventos musicais, mas também dos grandes protestos. Muitos ostentavam Make love, not war (Faça amor, não faça a guerra) em suas bandeiras, mas a maioria não estava nem aí com a paz no mundo, eles queriam apenas promover arruaça. Uma explosão de sentimentos confusos levava os jovens a se opor contra qualquer ordem social. Em Londres, protestamos contra a guerra do Vietnã e o presidente Johnson. Coquetéis Molotov voavam pelos ares e policiais eram apedrejados. A batalha era travada por milhares.
Também na Alemanha, freaks e estudantes protestavam contra a guerra do Vietnã, contra a imprensa, contra a visita do Xá, contra o armamento nuclear e contra o racismo na África do Sul. Eu estava bem no meio disso tudo. Ho-Chi Minh e Che Guevara eram os nossos ídolos, o pequeno livro vermelho de Mao Tse-tung era como uma bíblia para nós. O comunismo não me conquistou, pois em Iserlohn eu conhecia uma comunidade maoísta que, na prática, era composta de egoístas radicais. Isso me dava a impressão de que primeiro precisavam mudar a si próprios, antes de querer mudar o mundo.
Eu estava convencido de que meus pais não entendiam nada do que eu fazia. Enquanto isso, os mórmons continuavam freqüentando nossa casa. Fora isso, tudo permanecia como sempre. Quando não suportei a situação, fui para o apartamento do Benno. Dividíamos o aluguel. Deixei minha barba crescer como faziam os Beatles na época e meus cabelos cresceram ainda mais. A empresa na qual eu trabalhava, aceitou tudo. O que importava eram os canos torneados. O chefe era um velhinho e me tolerava. Certo dia, após ter faltado por alguns meses, o chefe júnior me chamou ao escritório e me demitiu furiosamente, mas o chefe sênior me contratou novamente. Ele sabia que, quando eu aparecia, fazia meu trabalho com muito capricho.
Usava o trabalho como disfarce, pois conseguia muito mais dinheiro com o tráfico de drogas. Foi assim que comprei roupas caras em Londres e Amsterdã e adquiri um carro novo. Centenas de LPs completavam a minha coleção. A venda de drogas, no entanto, me atormentava, eu tinha medo de ser pego pela polícia. Quanto mais intimidade com as drogas, mais distância dos policiais eu precisava ter.
Em um ponto de drogas em Dortmund, quase me pegaram. Eu estava no meu carro, e na rua pairava uma penumbra. Para enxergar melhor a pequena balança, que pesava a droga, levantei-a contra a luz, o suficiente para ser iluminado pela lanterna de um policial.
– Posso ver os documentos? – disse ele.
Deixei cair todo o “bagulho”, empurrei para debaixo do assento e tirei minha carta de motorista. Felizmente, o policial não percebeu nada.
Outra vez, precisei fugir às pressas, quando estava vendendo haxixe nos fundos da Fantasio, em Dortmund e a polícia apareceu de surpresa. Havia meio quilo de haxixe no assoalho da minha Kombi. Entrei em pânico e fugi.
Eu tinha mais sorte do que razão. Mesmo em Iserlohn, por ocasião de uma blitz acompanhada de inúmeras detenções, eu escapei, apesar de ser um dos maiores traficantes locais. A polícia prendeu um amigo que era meu sócio no negócio. Ele havia vendido LSD a uma moça novata no ramo das drogas. Como conseqüência, ela tomou quarenta doses de whisky e quase foi para o além. A notícia se espalhou e desencadeou uma onda de prisões.
Pressionados pela notícia de uma possível blitz, dezenas de freaks combinaram contar a mesma história, caso a polícia aparecesse: diriam não ter nada a ver com as drogas... mas durante aquele show em Essen lhes vendi drogas fornecidas por traficantes de Düsseldorf. Naquela noite, temi ser pego pela polícia, imaginei como isso arrebentaria o coração do meu pai. Seu filho, um traficante, preso. Mas a polícia não apareceu e todos os outros foram soltos sob fiança. E eu não estava nem aí com isso.
Essa sorte me tornou mais arrogante e atrevido. Senti-me por cima da situação e me considerei escolhido para algo maior, embora não atinasse para o que seria.
Perdi a noção do que era real e conjecturava em cima de filosofias radicais. Sentia pena das pessoas “normais”, pobres seres, cuja vida corria por entre os dedos. O maior prêmio deles pareciam ser férias de classe média na ilha de Mallorca.
Muitos jovens à minha volta se portavam de maneira estranha. Aconteciam as coisas mais terríveis. Certa noite, um jovem de dezessete anos entrou no bar, tomou sua primeira dose de LSD e, ficou louco para o resto da vida. Uma moça, sob o efeito de drogas, cortou os pulsos e escreveu com o próprio sangue na vitrina: Eu sou Emília. Depois, ela queria jogar-se do telhado. Vários usuários de drogas ficaram literalmente malucos e se tornaram sexualmente perversos.
Cego pela prepotência, eu tinha a convicção de que isso nunca aconteceria comigo. Eu possuía personalidade forte e tudo sob controle. Isso só acontecia a pessoas de caráter fraco, que tinham a vida mal resolvida ou vinham de lares destruídos.
As baladas mudaram. O que era brincadeira, virou coisa séria. Era cada vez mais fascinante influenciar os outros e impor sua vontade através do que parecia uma transmissão de pensamento. Era comum alguém tentar controlar minha mente durante uma viagem de LSD, o que me obrigava a opor-me com todas as forças contra essa manipulação. Uma moça tentou isso comigo e, quando me opus, ela caiu aos gritos ao chão e ficou ali, jogada. A partir daí, sofreu de confusão mental. O mesmo aconteceu com um moço que após uma frustrada tentativa de controlar-me mentalmente, tentou suicidar-se.
Outros se refugiaram no misticismo. Aos bandos, os hippies migravam para a Índia à procura do nirvana. Procuravam sua paz na ioga e na meditação. Estava na moda adorar deuses e gurus. O sujeito permanecia envolto por fumaça de incenso, totalmente drogado e mantendo postura ioga. O objetivo do ritual era abrir a mente para o mundo espiritual, enquanto o cabelo e o corpo balançavam de um lado para o outro.
As vestimentas eram cada vez mais à moda da Índia, e o corpo, como era costume, encheu-se de enfeites e braceletes. Os embaixadores dessa forma religiosa eram componentes de várias bandas musicais. Até os Beatles viajavam constantemente para a Índia, para consultar o guru da banda. A música deles era determinada por sons de cítara e influência oriental. Em um show da banda Quintessence, presenciei cerca de 800 pessoas rapidamente conduzidas a adorar Hare Krishna. Essa onda religiosa e o fluir de forças místicas e misteriosas também me encantavam.
Já outras bandas divulgavam abertamente sua simpatia ao diabo. Enquanto Mick Jagger cantava em Altamont “Sympathy for the Devil” (Simpatia pelo Diabo), os “Hells Angels” esfaquearam um negro bem em frente ao palco. Assim como nós tentávamos controlar as mentes uns dos outros, sob o efeito das drogas, também os músicos tentavam levar seu público a acompanhá-los durante as suas nas viagens e influenciá-los. Jimi Hendrix anunciou: “Uma vez descoberto o ponto fraco das pessoas, dá para agregar ao seu subconsciente o que você bem entender...”. Um músico dos Doors disse: “O inferno tem uma atração bem mais forte que as coisas do céu. A gente só precisa atravessar o limite para alcançar tudo”.
Eu amava a música de Black Sabbath, Pink Floyd, King Crimson, Spooky Tooth, Cream, Led Zeppelin... e a dos mestres Rolling Stones. Os textos falavam de sexo, anarquia, violência, drogas, religião oriental, ocultismo e morte. Era a música das drogas, e só estando drogado conseguíamos entendê-la. Nos grandes shows, as pessoas enlouqueciam. Havia mortos e feridos, durante as apresentações, mas adorávamos nossos ídolos sem perceber que estávamos em uma estrada sem volta, sem destino, desoladora e cada vez mais fria. Para sentir um pouco de calor, os freaks se juntavam e criavam as comunidades hippies.
Independente das peregrinações em massa, com o tempo, tudo tornou-se desolador. Tudo era igual. O sentimento do vazio se agarrou em mim. Minha expressão de vida era radical. No entanto, o vazio aumentou sem parar. Eu ansiava algo misterioso, imperceptível. Atormentado, vaguei pelas ruas, de carro, procurando não sei o quê. Seja em Munique, no Café Europa, ou em Düsseldorf, no Cream Cheese, ou em Londres, no Marquee Club, ou ainda em Amsterdã, no Paradiso, e em Dortmund, no Oma Plüsch... nada mudava.
Certa noite, saí chapado do Grünspan, uma discoteca underground em Hamburgo, e entrei diretamente em um grupo do Exército da Salvação. Eles estavam lá, cantando: “Meu bom pastor é Cristo...”. Fui tomado de pânico e corri até não poder mais. Sentia-me vazio e esgotado. No entanto, eu dizia: “melhor vazio do que crente”! Com os meus vinte e poucos anos, me sentia como se tivesse sessenta. O que ainda podia vir?

Help, Y need Somebody

Extraído do livro Help, Y need Somebody, de Walter heirerecht
Ganhador do prêmio Areté, o melhor livro do ano na sua categoria

Compras Online

 

Lançamento do livro Alerta Geral de Daniel Mastral. Confira fotos do evento.

Alerta Geral

....................................

 

A Pedra Fágil

A Pedra Fágil

Michael Card

....................................

 

Compre com os cartões