METAMORFOSE ECLESIÁSTICA
Mt 13.31,32: Outra parábola lhes propôs,
dizendo: O reino dos céus é semelhante
a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou
no seu campo; o qual é, na verdade, a menor de
todas as sementes, e, crescida, é maior do que
as hortaliças, e se faz árvore, de modo
que as aves do céu vêm aninhar-se nos seus
ramos.
Na realidade o grão de mostarda
não era a menor de todas as sementes, pois há
outras, como a semente da salsa, que são indubitavelmente
menores. Era usada na balança, como a menor medida
de peso, possível. Havia a possibilidade de negociar
ouro, por exemplo, no peso de um grão de mostarda
(Leia mais em Jo 21.8).
Algumas espécies da região, cresciam a
ponto de se transformarem em uma árvore, o que
é considerado, por alguns, como uma anomalia,
uma mutação. Seguindo esta linha de raciocínio,
teríamos uma hortaliça se transformando
em árvore, e usada para ilustrar uma séria
mudança de natureza e propósito.
Esta interpretação ganha
peso, se considerarmos que ao mencionar as aves do céu,
a Bíblia geralmente descreve aves de rapina.
A Igreja, que antes tinha peso de hortaliça,
ganhou corpo e passou por uma metamorfose que a transformou
em uma instituição que procura ter peso
político através de alianças questionáveis.
Nesta árvore pousaram aves que transformaram
almas em moeda de troca.
Algumas destas novas espécies, encontraram ambiente
favorável a sua preservação e utilizam
o fortalecimento de seu galho como trunfo e barganha
política. Usam a sua oratória e o seu
canto para manipular, enriquecer e se promover. O que
deveria ser capacitação para o serviço
a favor dos santos, se transformou em arma de sedução.
Onde deveria se abrigar o colibri, pousou o urubu. O
crescimento não é ruim, mas no momento,
não estamos preparados para ele.
Talvez esta geração
ainda veja crescimento transformado em avivamento. Não
se sabe se ocorrerá uma mutação
retroativa ou uma queimada geral da terra para o plantio
de algo novo. Se eu fosse você, apostaria na segunda
opção, pois a reforma do que está
condenado é um empreendimento que nunca deu certo
(Veja Ap 18). O Dia de Cristo está chegando,
e não dá para perder tempo fazendo pintura
nova em parede velha. Talvez a nossa geração
possa voar para os ramos da hortaliça original,
e fazer um pouso seguro para a sua alma (Mais informação
em 1Co 5.6). Pense nisto: Vamos pintar paredes velhas
ou construir novas?
Mt 13.33: Disse-lhes outra parábola: O reino
dos céus é semelhante ao fermento que
uma mulher tomou e escondeu em três medidas de
farinha, até ficar tudo levedado.
Neste capítulo está
guardada a chave para entendermos o momento atual da
Igreja. O fermento sempre foi considerado um elemento
liturgicamente impuro. Vetado durante o ritual da primeira
páscoa e considerado como o principal componente
da fórmula religiosa manipulada pelos fariseus.
Paulo recomendou que fosse eliminado o fermento da maldade.
Agora ele é colocado aqui como um agente modificador,
que ao ser acrescentado à receita da fé,
muda seu formato, seu gosto e sua aparência, mas
não acrescenta conteúdo, valor ou nutritiente.
Esta é a forma como a igreja se apresenta hoje,
uma broa formada como resultado da manipulação
feita pelo dono de uma padaria concorrente. Se você
tem olhos capazes de ver, olhe (Mc 8.15-18).
Ubirajara Crespo